Notícias

Lei da Liberdade Econômica: seis anos de avanços e desburocratização no Brasil

Por: CNDL Brasil 29 de setembro de 2025
Lei da Liberdade Econômica: seis anos de avanços e desburocratização no Brasil

Há seis anos, o Brasil deu um passo significativo em direção a um ambiente de negócios mais simples e dinâmico com a aprovação da Lei da Liberdade Econômica – LLE (Lei n° 13.874 de 20 de setembro 2019). Idealizada para desburocratizar e modernizar a economia, a Lei foi um marco que impactou diretamente a vida de milhões de empreendedores, especialmente os pequenos e médios negócios.

Ao simplificar procedimentos, diminuir a necessidade de alvarás e licenças para atividades de baixo risco e estabelecer a presunção de boa-fé, a lei não só reduziu custos, mas também fortaleceu a confiança e a segurança jurídica.

Para as micro e pequenas empresas, em especial, seus avanços são cruciais, já que estes negócios muitas vezes não têm recursos para contratar grandes equipes de contabilidade e advocacia para lidar com a complexa legislação brasileira.

Um estudo recente, realizado sob orientação do professor e dr. Alexandre Xavier Ywata de Carvalho no mestrado em economia e política pública do IDP Brasília e assinado pela coordenadora de Relações Institucionais e Governamentais da CNDL, Karoline Lima, mostram que os impactos foram além da teoria. Eles se traduziram em resultados práticos e visíveis na economia nacional. Com dados atuais do Mapa de empresas do Governo Federal, a pesquisa aponta para uma redução de 4 dias para 18 horas no tempo médio para abrir uma empresa no Brasil, o que é um avanço notável. A pesquisa comparou os estados e municípios que aprovaram a legislação com aqueles que não a implementaram, utilizando um modelo econométrico com dados em painel de mais de 5.000 municípios entre 2013 e 2022. Além disso, focou em fazer uma análise por setor para identificar os que mais foram beneficiados e os que ainda precisam de atenção. Os resultados indicaram efeitos positivos sobre diversas variáveis socioeconômicas, como o Produto Interno Bruto (PIB), o valor adicionado total segmentado por setores, e o número de empresas, empregabilidade, destacando-se impactos mais expressivos nos setores da indústria e agropecuária.

O estudo de iniciativa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojista (CNDL), buscou colocar em prática todas as fases do ciclo de uma política pública: desde a aprovação da lei até a avaliação de impacto e efetividade que a medida trouxe para a sociedade. A entidade que possui mais 500 mil empresas associados de todos os portes e segmentos, atuou desde o início pela aprovação da Lei no Congresso Nacional e promoveu ações de mobilizações para que as entidades associativas empresariais como as Câmaras de Dirigentes Lojistas (CDLs), presentes em quase 2 mil municípios brasileiros, recomendasse aprovação de leis locais junto ao Poder Público estadual e municipal.

Apesar de ser uma lei federal, seu sucesso depende de sua aplicação a nível municipal. Os municípios são o coração da economia local, e a adesão deles à lei é crucial para que seus benefícios cheguem de fato à ponta, beneficiando o pequeno comerciante, o prestador de serviços e o cidadão comum. O estudo da CNDL mostra que, mesmo com a existência da lei, a adesão ainda é desigual. Vários municípios estão adaptando suas legislações, mas muitos ainda não o fizeram. Isso gera uma discrepância que prejudica o desenvolvimento regional e cria barreiras desnecessárias para o empreendedorismo.

Passados seis anos, o saldo da Lei da Liberdade Econômica é inegavelmente positivo. Ela mostrou que a chave para o crescimento econômico não está na intervenção excessiva, mas sim na simplificação e na garantia de que o empreendedor possa focar no que realmente importa: seu negócio.

Os mapas mostram que foram registrados até o final de 2024, pelo Instituto Liberdade para Trabalhar que reúne dados e monitora a aprovação da LLE em todo Brasil, que mais de 2.100 municípios a aprovaram e pelo menos 23 estados.

No caso de leis de liberdade econômica aprovada em âmbito municipal foram observados aumentos médios de 0,78% no número de abertura de empresas nos munícipios brasileiros, de 1,01% no PIB municipal e de 0,79% no Valor Agregado Total, com destaque para os valores agregados dos setores de agricultura e pecuária com aumentos médios de 2,45% e no da indústria de 2,67%. Ou seja, que a Lei Liberdade Econômica contribuiu com a melhora desses indicadores e setores econômicos nos municípios que a aprovaram.

No caso de leis de liberdade econômica aprovada em âmbito estadual o estudo demonstrou aumento médio de 0,90% no número de empresas no geral, já no recorte para o número de empresas do setor de Comércio e Serviços o aumento médio foi de 1,16%. Quanto ao número de vínculos empregatícios houve um aumento médio de 0,95% nos estados que a aprovaram em relação aos que não aprovaram.

Tais resultados reforçam o estudo prévio à sanção da Lei, elaborado em 2019 pela Secretaria de Política Econômica do Governo Federal. Esse estudo havia estimado que as medidas implementadas com a Lei de Liberdade Econômica viabilizariam um crescimento de 7% no PIB per capita e um incremento de 4% na criação de empregos, totalizando aproximadamente 3,7 milhões de empregos em até 15 anos. Como o estudo atual analisa os quatro primeiros anos da vigência da lei, tais resultados sinalizam os benefícios já obtidos e o potencial que ainda pode ser alcançado com a implementação da LLE.

É primordial que cada cidade brasileira possa usufruir dos benefícios da desburocratização, criando um ambiente mais justo e competitivo para todos. Isso inclui a modernização das leis municipais, a adoção da digitalização de serviços e a simplificação de processos.

Nesse sentido, esta jornada está longe de terminar. É preciso que a liberdade econômica seja uma realidade em cada canto do Brasil, impulsionando o desenvolvimento regional e transformando a vida de milhões de brasileiros.

O estudo investigou ainda que o crescimento econômico é afetado negativamente pela instabilidade política, pelas distorções de mercado, bem como pela tributação excessiva. Em contrapartida, é impulsionada positivamente por outros mecanismos com a entrada de investimento estrangeiro direto, investimento acionário, estabilidade da inflação, disponibilidade de crédito e instituições adequadas. E que tais fatores têm representado desafios significativos para o Brasil nos últimos anos. Mesmo assim, demonstra que o país tem buscado soluções, como a reforma tributária e a adoção de medidas para reduzir o custo do crédito. No entanto, segue enfrentando um cenário de inflação, instituições com disputas motivadas por questões políticas e distorções de mercados que comprometem a produtividade interna.

A LLE pode representar um avanço importante, embora outros fatores também contribuem para a construção de um ambiente de negócios mais favorável ao empreendedorismo, como a aprovação de uma Reforma Administrativa mais ampla que diminua o peso do Estado sobre a livre iniciativa.

Os seis anos da Lei da Liberdade Econômica mostram que a desburocratização é um caminho viável para o crescimento econômico dos municípios brasileiros, melhoria do ambiente de negócios no país e necessário para construir um futuro mais próspero e com mais oportunidades para todos.

Por José César da Costa, presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) 

Relacionadas

Por: FCDL MINAS GERAIS 25/08/2026
STF mantém suspensão de multas por descumprimento da NR-1

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, por unanimidade, a decisão do ministro André Mendonça que suspendeu, por 90 dias, ...

Ler mais
Por: FCDL MINAS GERAIS 25/08/2026
Empresas com 100 ou mais empregados devem atualizar dados até dia 31

As empresas privadas com 100 ou mais empregados devem atualizar suas informações até 31 de agosto. Os dados servirão para elaboração do 6º R...

Ler mais
PUBLICIDADE
SPC – Cadastro Positivo


Sistema CNDL

Sistema CNDL