Discussões do segundo dia da NRF destacam que o varejo do futuro será vencido por quem criar mais conexão com o cliente
O segundo dia da NRF 2026, realizado nesta segunda-feira (12), em Nova York, trouxe como principal mensagem nas discussões o fato de que o varejo do futuro não será vencido por quem tem mais dinheiro, mas por quem cria mais conexão. O palco do evento foi dominado por discussões sobre marca, cultura, pessoas, tecnologia e, principalmente, emoção.
A palestra que melhor sintetizou tudo isso foi a de Ryan Reynolds. De forma provocadora e extremamente prática, ele mostrou que marcas relevantes não nascem de campanhas perfeitas ou grandes orçamentos, mas de autenticidade, velocidade e coragem para errar rápido. Para ele, o maior erro das marcas é tentar parecer grandes demais e humanas de menos. As que vencem são aquelas que participam da cultura em tempo real, falam como gente — e não como corporação — e criam afinidade emocional, quando o consumidor escolhe a marca por identificação, não apenas por lógica. O caso do Wrexham AFC deixou isso muito claro: um clube pequeno que virou global não por estrelas, mas por storytelling, comunidade e pertencimento. Ryan foi direto ao ponto: tempo e dinheiro em excesso matam a criatividade, e o perfeccionismo é inimigo da inovação.
Esse mesmo fio condutor apareceu em outras palestras do dia. A Abercrombie & Fitch mostrou que sua virada veio de liderança humana, escuta real do cliente e cultura forte, com mais autonomia para os times e menos controle central. A Ralph Lauren reforçou que tecnologia não substitui o DNA da marca — ela amplifica. Tradição e inovação não competem, quando bem orquestradas. No painel “Os Ícones”, marcas como Gymshark e Skims deixaram claro que marca virou mídia, comunidade virou ativo estratégico e crescer sem alma destrói valor. Já em Alimentos & Bebidas, o recado foi objetivo: o futuro passa por produtos funcionais com propósito real, omnicanalidade integrada e parcerias muito mais granulares. E a Ulta Beauty mostrou que estratégia só funciona quando é simples, vivida por toda a organização e apoiada por IA para personalização — sem perder o fator humano.
Resumindo o segundo dia da NRF em cinco pontos: autenticidade vence orçamento; velocidade importa mais que perfeição; marcas fortes criam pertencimento; IA potencializa pessoas, não substitui cultura; e comunidade virou o maior diferencial competitivo.
O recado final para o varejo brasileiro é direto: não é sobre parecer grande, é sobre ser relevante. Quem constrói marca com verdade, escuta o cliente de perto e age rápido vai atravessar ciclos, tecnologias e tendências. O jogo agora é humano, emocional e conectado.
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