A especialista argumenta que, em novembro, a desaceleração de alguns componentes da inflação em relação a outubro podem ter contribuído positivamente no resultado. “Isso tende a liberar parte do orçamento das famílias. Além disso, a alta da massa de rendimentos e o aumento do número de pessoas ocupadas também contribuíram para sustentar as vendas”, acrescenta.
Por outro lado, o segmento de bens duráveis, como móveis e eletrodomésticos, e veículos recuaram 13,5% e 2,2% respectivamente. Segundo Alessandra Coelho, a queda pode estar atrelada a fatores específicos dos segmentos, como o aumento da inflação no preço do automóvel novo.
“Apesar da oferta mais ampla de crédito, o segmento de veículos ainda registrou queda. Isso indica que, sem esse apoio do financiamento, o recuo poderia ter sido ainda mais intenso”, salienta.
Outro gargalo que impede maior crescimento do comércio varejista é a elevada taxa de juros, que restringe o consumo, encarece o parcelamento e desestimula compras de maior valor. Com o crédito mais caro, a especialista avalia que o consumidor tende a adiar decisões, reduzir o tíquete médio e concentrar gastos em itens essenciais.
Após recuperação no fim do ano, tendência é de desaceleração em 2026
De acordo com o economista do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Adriano Miglio Porto, os indicadores mostram uma combinação de um comportamento típico do setor no fim de ano, aliado a um período de recuperação. “É um movimento de recuperação, já que começamos o segundo semestre com fortes quedas, mas também influenciado pelas promoções da Black Friday”, avalia.
Além disso, o mercado evidencia dinâmicas positivas para o comércio varejista. Em novembro, o pagamento do 13º salário reforçou a renda disponível das famílias, enquanto o câmbio mais favorável ajudou a reduzir custos, especialmente em produtos com componentes importados.
Para 2026, o economista afirma que a tendência é de desaceleração, incluindo em segmentos com alto peso no mercado, como supermercados e veículos. “O impacto aparece com mais força no varejo ampliado, por reunir segmentos mais dependentes de crédito. Esse cenário também é reflexo de uma política monetária contracionista, que acaba contendo o consumo”, explica Porto.



