Notícias

CNDL apoia a PEC 12/2026 e a modernização da jornada de trabalho

Por: CNDL Brasil 3 de junho de 2026
CNDL apoia a PEC 12/2026 e a modernização da jornada de trabalho

A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), acompanha com atenção o debate nacional sobre o chamado fim da jornada 6×1 e entende que o Brasil precisa tratar esse tema com responsabilidade, equilíbrio e compromisso com a realidade do trabalhador e do setor produtivo. Nesse contexto, a PEC 12/2026, apresentada no último dia 28 de maio no Senado Federal, apresenta uma alternativa que merece apoio porque não impõe um modelo único, mas cria a possibilidade de escolha entre o regime tradicional da CLT e uma jornada flexível baseada em horas trabalhadas.
A proposta representa um caminho mais moderno e mais aderente à diversidade do mercado de trabalho brasileiro. Ao acrescentar ao art. 7º da Constituição dispositivos que autorizam compensação de horários, redução de jornada e pactuação de jornada flexível, inclusive por hora trabalhada, a PEC busca ampliar a autonomia das partes dentro de um limite semanal máximo e com preservação de parâmetros mínimos de remuneração.

Flexibilidade com proteção

O ponto central da PEC 12/2026 é justamente oferecer opção ao trabalhador. Pela redação proposta, o empregado poderá escolher entre permanecer no regime comum previsto pela CLT ou aderir a um regime flexível, desde que essa previsão conste em contrato individual de trabalho e respeite a jornada semanal máxima prevista na legislação.
Esse desenho normativo é relevante porque evita soluções generalistas para um mercado de trabalho profundamente heterogêneo. Comércio, serviços, logística, turismo, alimentação, varejo de rua, shopping centers e pequenos negócios operam em dinâmicas distintas, com picos de demanda variáveis ao longo da semana, do mês e do ano, o que exige instrumentos legais capazes de acomodar essa realidade sem retirar direitos do trabalhador.
A proposta também estabelece que o valor mínimo da hora trabalhada no regime flexível será proporcional ao salário-mínimo nacional ou ao piso da categoria, calculado com base na jornada máxima constitucional. Além disso, determina que férias, décimo terceiro salário, FGTS e outros benefícios legais observem a mesma proporcionalidade da carga horária efetivamente trabalhada, preservando um núcleo de proteção trabalhista e remuneratória.

Posição da CNDL

A CNDL defende que qualquer atualização das regras de jornada deve combinar proteção social, segurança jurídica e liberdade de organização do trabalho. Por isso, propostas que simplesmente eliminem formatos de jornada sem considerar a realidade operacional das empresas, especialmente das micro e pequenas, podem gerar aumento de custos, fechamento de postos de trabalho e perda de competitividade.
A PEC 12/2026 segue direção diferente ao não extinguir compulsoriamente o regime tradicional, mas permitir uma alternativa flexível fundada na livre escolha e na proporcionalidade remuneratória. Esse ponto é especialmente importante para o varejo e para os serviços, setores intensivos em mão de obra e diretamente dependentes de escalas adaptáveis à sazonalidade, ao fluxo de consumidores e às características locais de funcionamento.
Na avaliação do presidente da CNDL, José Cesar da Costa, o mérito da proposta está em reconhecer que relações de trabalho mais flexíveis não significam relações de trabalho menos protegidas. Ao contrário, a PEC procura conciliar autonomia, previsibilidade e formalização, abrindo espaço para arranjos que atendam melhor tanto aos trabalhadores que desejam mais flexibilidade quanto às empresas que precisam organizar suas operações com eficiência.

Um caminho de equilíbrio

O debate sobre a jornada 6×1 não deve ser reduzido a uma oposição entre direitos e atividade econômica. O verdadeiro desafio do país é construir um marco que promova inclusão produtiva, preserve empregos, incentive a formalização e permita ganhos de bem-estar para os trabalhadores sem inviabilizar os negócios que sustentam a economia real.
Sob esse prisma, a PEC 12/2026 oferece um caminho de equilíbrio ao introduzir uma possibilidade adicional de contratação, em vez de revogar de maneira uniforme a atual lógica de organização do trabalho. A previsão de entrada em vigor 180 dias após a publicação também sinaliza uma transição temporal que favorece adaptação e planejamento.
É nesse sentido que a CNDL manifesta apoio a uma proposta flexível, responsável e compatível com a pluralidade do mercado brasileiro. O país precisa avançar para modelos que respeitem a vontade do trabalhador, estimulem a produtividade e deem condições para que as empresas continuem contratando, investindo e gerando renda em todas as regiões.

Chamada à liderança empresarial e às autoridades

O momento exige diálogo e compromisso público com uma modernização equilibrada das relações de trabalho. Líderes empresariais, deputados, senadores, governadores, prefeitos, entidades representativas e autoridades públicas devem apoiar soluções que ampliem a liberdade de escolha sem comprometer a proteção social e a segurança jurídica.
O setor produtivo precisa participar ativamente dessa construção institucional, defendendo uma agenda que combine competitividade, empregabilidade e respeito ao trabalhador. “Apoiar a PEC 12/2026, em sua diretriz de flexibilidade com garantias mínimas, é contribuir para um ambiente de negócios mais funcional, mais moderno e mais preparado para os desafios do presente e do futuro”, destaca o presidente da CNDL, José Cesar da Costa.
Mais do que um debate sobre escala de trabalho, trata-se de uma escolha sobre qual modelo de desenvolvimento o Brasil quer estimular. Um modelo baseado em imposições rígidas e uniformes tende a ampliar inseguranças; um modelo baseado em liberdade responsável, proteção proporcional e pactuação transparente cria melhores condições para o crescimento, para a formalização e para a geração sustentável de oportunidades, emprego e renda no país.

 

 

Relacionadas

Por: FCDL MINAS GERAIS 11/09/2026
Governo de Minas proíbe publicidade de bets em espaços públicos estaduais

O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), assinou na manhã desta quinta-feira (20/8), um decreto que proíbe a publicidade de operadores...

Ler mais
Por: FCDL MINAS GERAIS 11/09/2026
Bets fazem um em cada cinco apostadores mineiros reduzir consumo, aponta FCDL-MG

O dinheiro destinado às apostas esportivas já interfere nas decisões de consumo de parte dos mineiros. Pesquisa realizada pela Federação das C...

Ler mais
PUBLICIDADE
Crédito Imobiliário BRB


Sistema CNDL

Sistema CNDL